Saiba como a China foi responsável pela eletrificação das frotas de transportes públicos terrestres em todo o mundo e que estratégias os fabricantes de veículos elétricos (VE) utilizaram.
Os autocarros elétricos de transporte público são cada vez mais comuns nas cidades de todo o mundo. A China destaca-se claramente pelo grande número de veículos produzidos, exportados e utilizados nos seus sistemas de transporte.

O sucesso chinês pode ser atribuído à vantagem competitiva dos fabricantes de autocarros elétricos do país por terem sido pioneiros nesta vertente. O governo chinês cedo reconheceu que os veículos a diesel são os maiores poluidores do país. Também identificaram os autocarros como a solução para reduzir o consumo de combustível, um fator importante particularmente para a China que está bastante dependente da importação de petróleo.
Os primeiros passos foram dados em 2009, quando Shenzhen foi escolhida para participar num programa de emissões zero devido à fraca qualidade do ar. A BYD, um dos fabricantes de veículos elétricos e híbridos mais influente da China, lançou os primeiros autocarros elétricos em 2011. Em 2018, Shenzhen tornou-se a primeira cidade do mundo com uma frota de autocarros públicos totalmente elétricos. O sucesso do país é evidente quando olhamos para os dados de 2017, altura em que a China possuía cerca de 99% dos 385 000 autocarros elétricos existentes no mundo, acrescentando cerca de 9 500 novos autocarros de emissões zero a cada cinco semanas.
Contudo, é essencial realçar que este avanço rápido na eletrificação da frota chinesa foi possível graças ao forte apoio do governo, como sucedeu, por exemplo, em Shenzhen:
- A concessão de um subsídio de cerca de 500 000 yuan (72 150 dólares americanos) a um operador de autocarros públicos local por cada veículo utilizado por ano, acrescido de 500 000 yuan pelos autocarros que percorressem mais de 60 000 km;
- Os subsídios do governo cobriram cerca de metade do CAPEX total por unidade;
- A construção de 500 estações de carga com capacidade para carregar cerca de metade da frota da cidade em simultâneo.
Outro ponto que contribuiu claramente para o domínio da China no setor dos veículos elétricos (VE) foi a estratégia de proximidade geográfica. A região da Ásia-Pacífico, por exemplo, foi de longe o maior mercado para os autocarros elétricos em 2022 (105 021 unidades), tal como outros mercados adjacentes, veja-se o exemplo da Coreia do Sul, onde os autocarros chineses representaram quase metade do mercado. Além disso, e à semelhança de 2022, a gigante chinesa BYD produziu cerca de 70% dos autocarros elétricos do Japão.
A criação de acordos de cooperação locais é outro instrumento forte usado pelas empresas chinesas, dado que a localização da produção e a contratação de mão-de-obra local pode reunir o apoio político necessário. A BYD depende fortemente das joint ventures estrangeiras, tendo-se associado recentemente à Índia para o fornecimento de apoio técnico chave aos seus autocarros e para colocar em circulação 2000 novos veículos até 2023. A China acordou com o Reino Unido (RU) o fornecimento de chassis de autocarros, baterias e tecnologia de tração base.
Dada a ameaça às entregas nos EUA, onde é proibido financiar o trânsito federal a fabricantes com ligações à China desde 2021, a BYD optou por se concentrar na Europa e tem estado a expandir a sua fábrica de e-bus na Hungria, segundo o princípio "Fabricado na Europa para a Europa". Prevê-se que esta expansão ultrapasse cinco vezes a capacidade de produção da empresa, para 1000 autocarros elétricos por ano.
Já que não possuem uma "vantagem de pioneiro" tão forte, as estratégias de localização da China e o acesso a subsídios locais serão cada vez mais cruciais para que o país continue no caminho do sucesso no setor dos autocarros elétricos.
Fonte:
- Frotcom
- China
- e-bus
- Setor dos autocarros elétricos
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- Eletrificação da frota
- Eletrificação da frota chinesa