Cinco maneiras de combater as mortes na estrada na Europa
O Conselho Europeu da Segurança dos Transportes (CEST) recomenda cinco medidas que a União Europeia e os governos europeus devem considerar implementar para ajudar a alcançar o objetivo de reduzir para metade o número de mortes e de lesões graves nas estradas até 2030.
De acordo com novos números publicados no final de fevereiro, registaram-se 20 600 mortes na estrada na UE, no ano passado, um aumento de 3% quando comparado com 2021. No início de 2019, o ano anterior à pandemia de Covid-19, verificou-se uma diminuição de 10% destes valores.

Reforçar os níveis de controlo do trânsito para mitigar riscos significativos, como o excesso de velocidade, a condução sob influência do álcool e drogas, e distração.
O controlo eficaz da atual legislação rodoviária é uma forma rápida, simples e direta de melhorar a segurança rodoviária. O controlo da condução sob o efeito do álcool diminuiu em muitos países europeus nos últimos anos e o controlo da velocidade dos veículos, do uso do cinto de segurança e de situações de distração por dispositivos móveis variam amplamente por todo o continente. A nível da UE, a futura revisão da diretiva de controlo transfronteiriço, prevista para o próximo mês, tem de garantir o acompanhamento de cada delito cometido por um condutor não residente.
Fomentar o investimento na circulação de bicicleta e a pé, modos que não aumentam os riscos para outros utentes das estradas
Nos últimos anos, as taxas de circulação de bicicleta e a pé aumentaram em muitos países. Porém, as mortes nestes grupos também estagnaram ou aumentaram, enquanto as de outros grupos, como os utilizadores de veículos automóveis, diminuíram. A ligação entre o aumento das taxas de circulação de bicicleta e o aumento do número de mortes de ciclistas precisa de ser quebrada através de um aumento significativo do investimento em infraestruturas, como redes seguras, conjuntas, de ciclovias separadas. A UE quer que as grandes cidades e centros urbanos se empenhem em desenvolver Planos de Mobilidade Urbana Sustentável – mas há muito mais por fazer para garantir que os governos locais seguem tais planos com alterações reais e duradouras.
Aumentar a segurança dos condutores inexperientes alterando as cartas de condução
O risco de um acidente de viação é máximo para os condutores que acabaram de passar no exame de condução, sendo que um em cada cinco acidentes ocorre nos primeiros seis meses de condução a solo, de acordo com um estudo. Neste sentido, a Comissão Europeia prepara-se para publicar regras atualizadas sobre as cartas de condução. O CEST pretende ver novas regras para as Novas Cartas de Condução e um maior acompanhamento da condução para garantir que os recém-encartados não executam as atividades de condução mais arriscadas durante pelo menos o seu primeiro ano na estrada. Estas incluem conduzir à noite, conduzir com um grupo de jovens no carro e conduzir depois de ter consumido uma determinada quantidade de álcool. O CEST também apela à Comissão para que mantenha a idade mínima de condução a solo em qualquer categoria de veículo.
Definir limites de velocidade adequados, com 30 km/h como padrão para as áreas urbanas
A Comissão Europeia sugeriu que os estados-membros da UE reduzissem os limites de velocidade para salvar vidas e reduzir o consumo de combustível e as emissões. Mas há muito mais a fazer para combater a velocidade indevida, que está diretamente ligada a um aumento na frequência e gravidade dos sinistros. Embora alguns países tenham efetuado alterações significativas nos últimos anos, por exemplo, nos Países Baixos, o limite de condução diurna nas rodovias é de 100km/h e, na Espanha, existe um limite máximo de 30 km/h em todas as áreas urbanas, ainda há muito por fazer. A Comissão Europeia poderia ajudar recomendando formalmente a velocidade apropriada para todos os tipos de estradas.
Reverter a aplicação ineficaz de novas medidas de segurança dos veículos
Em 2019, a UE concordou em introduzir novas tecnologias de segurança nos veículos. Contudo, os padrões técnicos finais então acordados incluíam sistemas de adaptação inteligente da velocidade que se baseiam em sinais acústicos irritantes e podem acabar por ser desligados, sistemas de aviso da distração do condutor que podem não detetar as formas mais comuns de distração com telemóveis e sistemas de entretenimento informativo, e gravadores de dados de incidentes, que são inúteis para os investigadores na área da segurança. O CEST apela a que os requisitos técnicos dos três sistemas sejam revistos com urgência.
Fonte:
ETSC
- Mortes na estrada
- União Europeia
- European Transport Safety Council (ETSC)
- Legislação rodoviária
- Planos de Mobilidade Urbana Sustentável
- Cartas de condução
- Comissão Europeia
- Limites de velocidade
- Sistemas de adaptação inteligente da velocidade
- Sistemas de aviso da distração do condutor